Isso não foi feito pra estar aqui
Após um tempão hibernando e após mais um aborto dentário, eu venho sem um texto \o/
Isso aí, eu vim sem um texto de verdade.
O texto foi uma redação feita pra escola - e acabou servindo pra encher linguiça. O objetivo era terminar com algo predeterminado, no caso o último parágrafo da redação aí embaixo. Eu gostei e fiz outras duas redações além da minha. Uma eu "vendi" por algo que vale 175 reais, e a outra ficou grande demais pra ser apresentada como redação. A que eu "vendi" é essa daí:
Tudo estava uma confusão. Era grito pra lá, grito pra cá, e Dona Tereza não parava de andar, quase corria, com suas minúsculas perninhas. Mesmo com tudo indo bem, a não ser pelos ciúmes bestas de Joaquim, seu filho, a preocupação tomara conta de seu rosto; afinal, no dia do aniversário de quinze anos de sua filha não podia haver nada errado: toda a família se juntaria finalmente.
Dona Tereza não parava de falar “Maria, e os pratos?”, e Maria sempre respondia que já estavam todos limpos, guardados na dispensa. Eram os pratos com borda de ouro que só haviam sido usados no dia do casamento de Dona Tereza, quinze anos atrás, e que seriam o destaque do dia de hoje: todas as irmãs e tias estavam loucas para rever os pratos.
E com toda a correria, Dona Tereza pra lá, Dona Tereza pra cá, Joaquim resmungando atrás da mãe até finalmente se cansar, tudo sendo arrumado e todos se arrumando na grande casa de Dona Tereza e Seu João, ouve-se um estampido seguido de vários outros. Onomatopéias invadiram a casa de Dona Tereza e cinco minutos depois todos da casa estavam na dispensa.
“Tudo arruinado, tudo arruinado”, choramingava Terezinha enquanto via pasma a imagem de seus pratos, agora meros pedaços, espalhados pelo chão. “Quem foi que fez isso?”, bradou Seu João. “Maria, você arrumou os pratos da maneira errada!”, gritou Terezinha. E passaram-se vários minutos nos quais o culpado não foi descoberto. No final, tiveram que usar outros pratos. Mas agora a festa não seria mais a mesma, concluiu Terezinha, uma “pratoólotra”, do mesmo modo que Seu João era alcoólatra.
Muitos minutos antes, um menino perseguia sua mãe em busca de reconhecimento. Nunca tinha tido uma festa antes, e já estava com oito anos. Sempre dizia que a irmã era a preferida. “Ah, quer saber? Se eu não tenho festa, festa ela não vai ter!”, e assim Joaquim rumou para a destruição dos pratos da mãe, fugindo depois pela escada que levava para fora da dispensa, sumindo da visão de quem viesse ver o ocorrido.
A cena se esvaziou, com a dispersão do grupo. Passados uns cinco minutos, pé ante pé, o menino que provocara toda a confusão apareceu no alto da escada. Não restava ninguém. Ele deu uma risadinha e sumiu outra vez.
“Tudo arruinado, tudo arruinado”, choramingava Terezinha (...)
Ah, e a banda preferida do dia não é de funk: Arctic Monkeys.

0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Início